Do Go Big ao existir: "exprendedorismo" em 5 refugios criativos em Tokyo e Seoul
- Victor Hayashida
- Aug 30, 2025
- 3 min read
Updated: Sep 8, 2025
No Brasil, crescemos sob a influência do mantra norte-americano “Go Big or Go Home”. Empreender virou sinônimo de escala, pitch para investidor, valuations e a corrida desenfreada para ser “o próximo unicórnio”.
Mas, ao olhar para a Ásia percebi um outro caminho. Ali, empreender se aproxima mais do lifestyle do que da lógica da grandeza e se transforma em refugios criativos. Não se trata apenas de startups, fintechs ou biotechs, mas de criar ambientes que acolhem mentes criativas e oferecem refúgio silencioso em meio ao excesso do mundo.
É uma outra dimensão do empreendedorismo: a que nasce da cultura, do cotidiano e do detalhe. Lugares que são recriados a partir do ordinário: uma fábrica antiga, uma livraria, um café de bairro... e se transformam em espaços de contemplação, encontro e reinvenção.
Nesse gesto aparentemente simples, há uma força transformadora. Porque às vezes as grandes inovações começam justamente assim: em pequenas ações que aquietam a alma e reabrem o olhar para novas leituras do mesmo.
É nesse espírito que reuni cinco espaços que são refugios criativos (entre Seoul e Tokyo) que mostram como o exprendedorismo pode ser, antes de tudo, um ato de existir.
1. Streamer Coffee Company (Tokyo)
Shibuya, Nakameguro, Setagaya

Um refúgio criativo nasce quando propósito, produto e pessoas se encontram.
Fundado em 2010 por Hiroshi Sawada, campeão mundial de latte art, o Streamer é um ícone da cena criativa de Tokyo. O Streamer Latte, servido em bowls generosos, não é apenas café: é uma tela efêmera que transforma o ato de beber em experiência visual e sensorial.
Seu espaço minimalista, com mesas comunitárias e janelas amplas, virou um ponto de encontro para criativos, nômades digitais e quem busca pausa no meio do ritmo acelerado da cidade.
2. Higuma Doughnuts + Coffee Wrights (Tokyo)
Omotesando / Jingumae

Donuts artesanais e café de especialidade se transformam em experiência cultural quando o espaço é inspirador.
Um espaço ensolarado, com grandes janelas e atmosfera arejada, onde a simplicidade vira gesto criativo. O Higuma Doughnuts nasceu da paixão de dois amigos por donuts feitos à mão, leves e macios, com ingredientes locais. Ao unir forças com o Coffee Wrights — uma das torrefações independentes mais respeitadas de Tokyo — criaram um café que é ao mesmo tempo doce refúgio e ponto de encontro.
O cardápio tem ícones como o Honey Mascarpone Donut e o clássico Cinnamon Sugar, sempre acompanhados de cafés filtrados na hora. Mas o que fica na memória é o conjunto: a luz que atravessa as janelas, o cuidado no preparo, a sensação de estar num espaço feito com afeto e autenticidade.
3. 2050 Coffee (Tokyo)
Harajuku / Omotesando

Um refúgio criativo também pode ser um convite a pensar longe.
O 2050 Coffee olha para frente. Seu nome já é uma provocação: como beberemos café em 2050? Com foco em sustentabilidade e tecnologia, o espaço funciona como laboratório do futuro, propondo experiências que vão além do sabor.
Minimalista, quase clínico, o 2050 convida à reflexão sobre o impacto de nossos hábitos no planeta, transformando cada xícara em gesto consciente.
4. Tsutaya Books (Daikanyama, Tokyo)
Daikanyama T-Site

Quando uma marca consegue ser espaço de comunidade, ela deixa de vender e passa a inspirar.
Mais que livraria, a Tsutaya Books é um ecossistema cultural. Projetada pelo estúdio Klein Dytham, ela integra livros de arte, música, cinema e café em um mesmo fluxo de experiência.
Aqui, consumo e cultura caminham juntos: é possível folhear edições raras, ouvir vinis, assistir a uma instalação e tomar café, tudo em um só ambiente. Tsutaya virou não apenas ponto de venda, mas ponto de encontro — um lugar onde arte e vida se misturam.
5. Café Onion (Seongsu, Seoul)
Seongsu-dong

Empreender pode ser reinventar ruínas. Transformar o gasto em belo, o esquecido em centro de vida.
Fundado em 2016 por Yu Zu-hyung, o Café Onion surgiu da vontade de ressuscitar um velho galpão de fábrica com história e alma. Junto ao estúdio Fabrikr, ele preservou detalhes como tinta descascada, tijolos antigos e marcas do uso ao longo das décadas criando um espaço que é ao mesmo tempo ruína e refúgio criativo.
O café se tornou catalisador urbano: devolveu vida ao bairro, atraiu jovens empreendedores, cafés e padarias. Uma transformação que começou com uma xícara e virou movimento cultural.
No cardápio, o Injeolmi Pandoro, o Black Soybean Scone e a Onion Mocha não são apenas sabores mas delicadezas que traduzem o espírito sensorial e minimalista.
Para refletir...
Do latte efêmero ao pão servido em galpões industriais, do futuro sustentável ao templo cultural de Daikanyama, esses espaços mostram que o exprendedorismo não é sobre crescer a qualquer custo. É sobre criar ambientes que acolhem, inspiram e provocam novas formas de existir.





