Utada Hikaru X Kenshi Yonezu
- Victor Hayashida
- Aug 24, 2025
- 2 min read
Updated: Sep 8, 2025

Alguns encontros criativos parecem inevitáveis. Não pela lógica de mercado, mas pela necessidade silenciosa de que duas vozes, em algum momento, se cruzem. Foi assim que nasceu JANE DOE, a colaboração entre Hikaru Utada e Kenshi Yonezu, lançada em setembro de 2025 como tema de encerramento do arco Reze de Chainsaw Man. Mais do que um single, ele soa também como um manifesto. Utada e Yonezu representam duas formas distintas, mas igualmente radicais, de existir através da arte.
Hikaru Utada: vulnerabilidade como força

Filha de músicos japoneses, criada entre Tóquio e Nova York, Hikaru Utada se tornou um ícone já aos 16 anos, quando lançou First Love (1999), o álbum mais vendido da história do Japão. Desde então, construiu uma carreira marcada por honestidade e introspecção.
Utada não tem medo de falar de solidão, identidade ou espiritualidade. Suas músicas são íntimas, quase confissões, onde o silêncio e o minimalismo têm tanto peso quanto a melodia. Ela se tornou uma referência de como vulnerabilidade pode também ser transformada em uma potência pop e cultural.
Kenshi Yonezu: a reinvenção do outsider

Kenshi Yonezu começou sua trajetória de forma independente, sob o nome Hachi, produzindo músicas com Vocaloid em fóruns online. Aos poucos, construiu uma base de fãs fiel e, ao se apresentar com sua própria voz, reinventou o espaço da música japonesa. Hoje, Yonezu é um dos maiores nomes da cena, mas sem perder sua marca: ele compõe, canta, ilustra, dirige e cria a estética de seu trabalho. Multidisciplinar, ele é exemplo de como um artista pode expandir sua essência para além da música, transformando cada lançamento em experiência visual e cultural.
A imagem como extensão da obra

A capa de JANE DOE carrega um detalhe que diz muito sobre essa colaboração: a ilustração é assinada pelo próprio Kenshi Yonezu. Antes mesmo de ser reconhecido como músico, Yonezu já era ilustrador, e grande parte de sua discografia traz capas e artes criadas por ele. Ao assumir também a direção visual deste projeto, ele reforça a ideia de que a obra não termina no som. O traço, a escolha das cores e a atmosfera da imagem se tornam extensão natural da música: uma narrativa completa, que não separa o que se ouve do que se vê.
O encontro
No cruzamento desses dois universos, JANE DOE é um espaço novo, um terreno fértil criado pela soma de duas trajetórias que nunca buscaram apenas agradar, mas sempre provocar.
Há colaborações que são produto do acaso, e outras que parecem nascer de uma necessidade cultural. Utada e Yonezu se encontram nesse segundo caso. Juntos, lembram que inovação não está apenas no novo, mas na capacidade de unir vulnerabilidades e visões distintas em um mesmo gesto criativo.
Talvez seja isso o que o mundo pede hoje: menos ruído, mais encontros que abram espaço para contemplar e existir.





