Analogue Pocket: O futuro em 8 bits
- Victor Hayashida
- Aug 24, 2025
- 2 min read
Updated: Sep 8, 2025

Existem objetos que parecem atravessar o tempo. O analogue pocket é um deles. De longe, ele tem cara de gadget futurista: linhas retas, corpo minimalista, uma tela que parece vidro líquido. Mas basta olhar mais de perto para perceber que sua alma mora em outro lugar: no encaixe de um cartucho antigo, na memória de um clique que já conhecemos.
Diferente de tantos aparelhos que apenas emulam o passado, o Pocket respeita a tradição. O hardware foi desenhado para conversar com os cartuchos originais de Game Boy e companhia. Não há atalhos aqui. É tecnologia feita do futuro para o passado, uma ponte onde inovação e memória se "encaixam".

Colocar um cartucho no Pocket não é só jogar. É reviver o gesto: abrir a caixinha, assoprar o conector, encaixar devagar e esperar a tela ganhar vida. Só que agora tudo aparece com nitidez impressionante, cores ajustadas e som cristalino. O passado, mas visto com olhos de hoje. É essa delicadeza que faz o design do Pocket especial. Ele entende que nostalgia não é apenas saudade, mas sim, uma emoção que se ativa no presente. É poder jogar de novo, mas de um jeito novo. É sentir que tradição não precisa ser intocável, ela pode e deve ser recriada, como forma de sobrevivência.
Em tempos de aceleração e telas descartáveis, segurar um objeto como esse é quase um lembrete: algumas experiências merecem durar.

Analogue, a Apple do retrogaming
O Analogue Pocket não ganhou espaço em publicações como Wired ou Fast Company apenas pela estética impecável, embora isso pese. O que transformou a Analogue em um objeto de culto é a forma como a marca entendeu o valor da escassez e da tradição.

Seus produtos esgotam em horas, vendidos a preços considerados altos para um console portátil e ainda assim disputados como peças raras. Enquanto concorrentes lançam aparelhos mais potentes, muitas vezes por metade do preço e sem despertar o mesmo desejo, a Analogue ocupa outro território: o do símbolo. Ter um Pocket é quase como ostentar uma Louis Vuitton entre os gadgets.
O segredo está nessa abordagem que lembra as marcas de luxo: dialogar com o presente sem esquecer a essência, respeitar a tradição sem medo de reinventá-la. Não se trata de nostalgia por si só, mas de uma nostalgia cultivada com cuidado. A tradição não é demolida, é celebrada. E é dessa celebração que nasce algo novo.

O Analogue Pocket nos lembra que inovação real não é apagar o que veio antes, mas é sobre criar o futuro a partir do respeito ao passado e à sua tradição.





